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Cúpulas 1

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Por que cúpulas no meu atelier? Por que não um teto clássico com telhas? A resposta é simples. Porque eu amo cúpulas!

Sempre gostei de domos! As cúpulas também são chamadas de domos. Cúpulas criam espaço, cúpulas criam harmonia, cúpulas são orgânicas, cúpulas têm curvas, cúpulas são femininas. Muito femininas, de acordo com Kelvin Kline no filme cômico “Um peixe chamado Wanda”. Ao olhar para os seios de Jamie Lee Curtis, ele fala sobre a grande cúpula da Catedral de Milão.

Mas deixei-me contar algo sobre cúpulas que me influenciaram. Primeiro, existem aqueles charmosos domos da Grécia. Você os vê por toda a parte na Grécia. Eles são alegres, algumas vezes aparecem aqui e acolá pelos morros. Os domos coloridos sobre muros caiados de branco em brilhante contraste com o céu azul mediterrâneo. Enquanto na Europa ocidental os domos são mais usados em grandes igrejas, catedrais e outros prédios importantes, na Grécia, pequenas igrejas escondidinhas ou casas privadas podem ter um ou ainda mais de um. Geralmente, os domos não são decorados Apenas redondos e rebocados. Oia, no Sul de Aegea (sic) colada na beira da cratera de Santorini, é uma dessas cidades.

Casas caiadas de branco com domos azuis são tão típicos da Grécia!

Para falar de catedrais. A catedral de Florença tem o maior domo de todos. O domo (1420 – 1436) foi revolucionário em seu design. É um dos principais da Renascença italiana. O arquiteto era Filippo Brunelleschi. Com uma altura de 107 metros e um diâmetro de cerca de 45 metros, é impressionante. A cúpula tem duas “cascas”. A interior é uma esfera e a externa é mais côncava. A de dentro suporta a de fora. Entre elas, há uma escada de 463 degraus que sobe em espiral até o topo da cúpula. Dá uma sensação estranha caminhar por lá. É possível ver claramente a parede interna curvando-se para o centro do domo e a de fora progressivamente aproxima-se mais e mais em sua direção. A cada degrau, você se compreende melhor que está no topo em algum lugar naquele teto incrível que você viu lá de baixo. Eu não consegui evitar questionar-me se aquelas pedras antigas conseguiriam segurar o peso de meu corpo. Afinal, a cúpula pesa 37 000 000 kg. Meus 80 quilos da época poderiam ser justo a gota que faltava para derramar todo o balde. No meu próximo blog, prometo escrever umas anedotas sobre a construção dessa cúpula.

Catedral de Florença

Outro domo lindo é encontrado no Nepal. Perto de Kathmandu, fica Bodnath. É uma das maiores “estupas” budistas e o maior centro do Budismo Tibetano fora de seu país de origem. Durante minhas viagens ao Nepal, era um de meus lugares favoritos para passar a tarde, apenas caminhando por ali e observando como a vida transcorria. O olho pintado de Buda olha em todas as direções. Bandeirinhas de múltiplas cores com orações flâmulam ao vento. Monges, peregrinos, turistas, cheio de pessoas. Budistas murmurando orações com os “mionhos de reza”: “omani padme hum”, dizem eles. Sons de música de monastério e ainda assim a impressão é de tranquilidade, uma calma que diminui a velocidade das batidas cardíacas. Namastê.

Bodhnath estupa

Meu domo favorito é o do Panteão em Roma. Por mais de 1300 anos, o maior do mundo. Ainda é o maior de concreto sem ferro. Construído pelos romanos entre os anos 118 e 125. Você acredita? Ainda está lá. E ainda é incrível. Por que eu gosto tanto desse? Porque para mim tem a perfeita harmonia entre altura e largura. O diâmetro do domo é 43,30 metros e a distância entre o chão e o teto é tambem 43,30 metros. Você poderia colocar uma bola de 43,30 metros de diâmetro dentro da construção. Poderia colocar toda a estrutura interior em um cubo imaginário de linhas de 43,30. Coloque em mente o famoso desenho de Leonardo Da Vinci o “Homem Vetruviano”, aquele que tem seus braços e pernas esticados dentro de um cubo e um círculo. Por essa estrutura e essa harmonia, gosto tanto do Panteão. Outra razão é que o domo é mantido sóbrio. Além dos cassetes para reduzir o peso, não há outra decoração no teto. Então, é a própria arquitetura que fala com nossa imaginação. E há também esse estranho buraco no topo, o óculus. A luz do sol entra como um pilar de brilho dentro do domo. Gosto mais dessa sobriedade na decoração do que a presente nas cúpulas de certas famosas catedrais e mesquitas nas quais cada centímetro quadrado está ornamentado, pintado, com mosaicos ou pintados com ouro. É simplesmente outro tipo de beleza.

Panteão – quadro pintado por Panini

Agora, no topo do meu atelier, existirão dois domos bem modestos. O diâmetro terá cerca de 5 metros e a altura, cerca de 3,5 metros. Bem modestos mesmo. Mas, um domo é um domo.

About Frank Koopman casa

Dutch artist. Sculptor. Now, building up an an art atelier, located in Foz do Iguaçu. The whole project is built using reused and recycled materials. The atelier is located on the terrain of the COC Semeador school. Here, in this picture, I am with my daughter carrying araucaria trees as we were helping planting, in a reforestating effort in Urubici/SC. The araucarias are the symbol trees of Paraná. Artista e escultor holandês. Atualmente, constrói um atelier em Foz do Iguaçu. O projeto utiliza materiais reusados e reciclados. O atelier é localizado no terreno do colégio COC Semeador. Nesa foto, estou com a minha filha carregando mudas de araucárias num esforço de reflorestar mata em Urubici/SC. As araucárias são as árvores símbolo da região do Paraná.

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